sábado, 27 de agosto de 2016

O Poder do Agora

Eckhart Tolle
Todas as coisas realmente importantes, como a beleza, o amor, a alegria e a paz interior, surgem de um ponto além da mente. É quando começamos a acordar.

Sempre que houver um espaço no fluxo dos pensamentos, podem ocorrer lampejos de amor e alegria, ou breves instantes de uma paz profunda. O amor, a alegria e a paz não conseguem florescer, a menos que tenhamos nos livrado do domínio da mente.

Faça do Agora o foco principal da sua vida. Se antes você se fixava no tempo e fazia rápidas visitas ao Agora, inverta essa lógica, fixando-se no Agora e fazendo rápidas visitas ao passado e ao futuro, quando precisar lidar com os aspectos práticos da vida.

O medo psicológico é sempre de alguma coisa que poderá acontecer; não de alguma coisa que está acontecendo neste momento. Você está aqui e agora, ao passo que a sua mente está no futuro. Essa situação cria um espaço de angústia. Podemos sempre lidar com uma situação no momento em que ela se apresenta, mas não podemos lidar com algo que é apenas uma projeção mental. Não podemos lidar com o futuro.

O medo será uma companhia constante para qualquer pessoa identificada com a mente e, por conseguinte, desconectada do seu verdadeiro poder, o eu profundo enraizado no Ser. O número de pessoas que conseguiram alcançar o ponto além da mente ainda é extremamente pequeno, o que nos leva a presumir que, virtualmente, todas as pessoas que você encontra vivem em estado permanente de medo.

Identificar-se com a mente dá a ela mais energia, enquanto observar a mente retira a sua energia. A energia retirada da mente se transforma em presença.

Se você alguma vez esteve numa situação de emergência, de vida ou morte, saberá que isso não foi um problema.. A mente não teve tempo para se distrair e transformar a situação em problema. Numa emergência de verdade, a mente para. Ficamos absolutamente presentes no Agora, e algo infinitamente maior e mais poderoso passa a dominar.

Sempre que acontecer uma desgraça ou alguma coisa ruim em sua vida, saiba que existe um outro lado e que você está a apenas um passo de distância de algo inacreditável: uma completa transformação alquímica da base de metal da dor e do sofrimento em ouro. Esse passo simples é chamado de entrega.

Se você tem uma doença grave, use-a para alcançar a iluminação. Use qualquer coisa ruim que acontecer em sua vida para alcançar a iluminação. Retire o tempo da doença. Não dê a ela nenhum passado ou futuro. Deixe-a forçar você para a percepção intensa do momento presente. E veja o que acontece. Torne-se um alquimista. Transforme o metal em ouro, o sofrimento em consciência, a felicidade em iluminação.

A entrega não transforma aquilo que é; a entrega transforma você. Quando você estiver transformado, todo o seu mundo fica transformado, porque o mundo é somente um reflexo.

“Seja como um servo esperando pelo retorno do seu senhor”, diz Jesus. O servo desconhece a que horas o senhor vai chegar. Então fica acordado, vigilante, para não perder a chegada do patrão. Em outra parábola, Jesus fala das cinco mulheres descuidadas (inconscientes) que não tinham levado azeite suficiente (consciência) para manter as lâmpadas acesas (ficar presente) e, assim, perderam a chegada do esposo (o Agora) e não participaram das bodas (iluminação). Essas parábolas não são sobre o fim do mundo, mas sobre o fim do tempo psicológico. Elas apontam para a possibilidade de se viver num estado inteiramente novo de consciência.

sábado, 2 de julho de 2016

Corporificando a Cosciência

Aidda Pustilnik e Theda Basso
Aidda Pustilnik é psicóloga e psicoterapeuta. Em parceria com a psicóloga argentina Theda Basso, criou a Metodologia  "Dinâmica  Energética do Psiquismo" - DEP, uma escola que trabalha com o desenvolvimento pessoal, oferecendo aos alunos um caminho para que possam expressar o Ser que cada um é. Em um de seus livros, "Corporificando a Consciência",  Aidda e Theda abordam o tema que é a essência de sua mensagem:  A Consciência que somos, mas que ainda se encontra inconsciente em nós mesmos, necessita emergir através de nossa experiência e se fortalecer,  a fim de tornar-se sustentável em sua manifestação. 

 Corporificando a Consciência

Quando o ego se entrega ao propósito do Ser, o indivíduo se transforma numa “espécie de supercondutor”, de resistência quase nula, que transmite toda a presença da Consciência que ele pode suportar, sem distorções. Não há limites para a expansão da Consciência, cujo fim se encontra no fundir-se outra vez à Consciência Universal.

Somos Consciência que está inconsciente em nós mesmos, como fonte de todas as nossas possibilidades; para manifestar-se, necessita emergir através de nossa experiência. O que está oculto vira à luz, na medida em que formos capazes de sustentar sua manifestação. O conceito "Inconsciente Emergente" expressa a compreensão desse substrato oculto de nossas possibilidades.

Jesus de Nazaré preparou-se por trinta anos para poder manifestar a Energia Crística, passando a ser Jesus Cristo. Foram necessários trinta anos de preparação para que Ele pudesse sustentar a manifestação dessa qualidade, a força da Consciência que existia nele.

Nos Evangelhos de Jesus Cristo, sempre está presente uma expressão que diz: “Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça”. É preciso ouvir a própria essência, a nossa natureza verdadeira. Assumir o Ser que somos pelo treinamento de “escuta” de nós mesmos e de sua prática. Para a “escuta do Ser”, precisamos utilizar um estado expandido de consciência, por meio do qual podemos intuir o significado e o caminho de nossas vidas. Fazer o caminho do desenvolvimento da consciência, manifestando em si a Consciência, é fazer o “caminho do herói”, ou seja, o caminho de si mesmo. É um despertar permanente.

Os bloqueios corporais, emocionais e mesmo espirituais, são impedimentos para que as possibilidades, que estão no substrato profundo, o Divino em cada um de nós, se revelem em nosso modo de ser e de viver. Quando todo o substrato inconsciente tiver emergido, se é que isso possa acontecer, somente existirá consciência e o resultado será Deus.

O termo Inconsciente Emergente expressa o fato de possuirmos um substrato, no qual estão inscritas nossas possibilidades; mas estas só emergirão na medida em que nosso eu suporte a sua manifestação. Todos os grandes mestres do conhecimento tiveram um tempo de preparação para poder manifestar suas qualidades mais desenvolvidas e mais sutis. Não somos exceção a essa regra.

Nelson Mandela disse: “Nosso medo mais profundo não é de sermos inadequados, mas de sermos poderosos além da medida. É nossa Luz e não nossa Escuridão, que mais nos assusta. Nós nos perguntamos: quem sou Eu para ser brilhante, atraente, talentoso, fabuloso? Na verdade, quem é você para não ser? Você é uma criança do Espírito. Você, pretendendo ser pequeno, não serve ao mundo. Não tem nada de iluminado no ato de se encolher para que os outros não se sintam inseguros ao seu redor. Nascemos para manifestar a glória do Espírito que está dentro de nós. E à medida que deixamos nossa Luz brilhar, damos permissão para outros fazerem o mesmo. À medida que liberamos nosso medo, nossa presença libera outros”.

O avatar Sathya Sai Baba, ao dar a bênção a seus devotos, no seu Ashram, em Putaparti, sul da Índia, não permitia a ninguém tocá-lo nesse momento, porque sabia que se alguém o tocasse, no mesmo instante queimar-se-ia, em função da força de Luz que se manifestava  através dele.

Somos Consciência em processo de manifestação, através do desenvolvimento. Tudo o que existe é Consciência, ainda que se manifeste de formas diversas, desde as mais densas até as mais sutis.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Os segredos da vida

Elisabeth Kubler-Ross
                    
Quase todos nós queremos o amor incondicional, aquele que existe apenas devido ao que somos e não por causa do que fazemos ou deixamos de fazer. Infelizmente, a maior parte do amor que experimentamos é extremamente condicional. Somos amados pelo que fazemos pelos outros, pelo dinheiro que ganhamos, etc.

Sabemos que a vida encerra muito mais possibilidades do que as que nos permitimos experimentar. Essas possibilidades são imensamente maiores quando o medo não nos aprisiona. Há um mundo novo fora e dentro de nós, um mundo onde existe menos medo e está esperando para ser descoberto.

Precisamos transformar o nosso medo em sabedoria. Avance um pouco cada dia. Exercite-se, fazendo as pequenas coisas que você tem medo de fazer. Aprenda a usar a força do amor e da sabedoria para vencer o medo.

O nosso verdadeiro poder não provém da nossa posição na vida, de uma polpuda conta bancária ou de uma magnífica trajetória profissional. Ele é a expressão de nossa autenticidade interior. São poucos os que percebem que cada um de nós possui o poder do universo dentro de si. Olhamos em volta e achamos que os outros são poderosos, que a natureza é poderosa.

Diariamente, podemos presenciar uma semente transformando-se em flor ou o sol cruzando o céu. No entanto, nós nos consideramos desligados de todo esse processo. Mas Deus não fez a natureza poderosa e o homem fraco. Assumimos nosso poder, quando nos damos conta de que somos únicos e de que temos o mesmo poder inato de todas as outras criações. Nascemos com o poder que se encontra no mais profundo de nosso ser. Lembre-se disso e reconheça-o.

Algumas pessoas sem dinheiro se sentem ricas, ao passo que alguns ricos se sentem pobres. Ser pobre significa encarar a vida com estreiteza e impotência, o que é muito mais perigoso do que estar momentaneamente sem dinheiro. Ser pobre é esquecer-se de seu valor intrínseco, que não depende do dinheiro que possuímos. Podemos considerar certos objetos como valiosos, desde que não nos esqueçamos de que nós somos ainda mais preciosos do que quaisquer objetos que possamos adquirir.

Muitos de nós vivemos na ilusão de que é sempre bom estar no controle, de que seria perigoso deixar o universo cuidar das coisas. No entanto, o nosso controle é realmente necessário para o funcionamento do mundo? O sol nasce todas as manhãs e a maré sobe e desce sem a nossa intervenção. Não precisamos dizer a nossos filhos que cresçam; não oferecemos cursos às flores para explicar-lhes como florescer, nem tomamos providências para garantir que os planetas mantenham a devida distância uns dos outros.

O universo governa com maestria este planeta surpreendentemente complexo. Sabemos disso e, no entanto, temos medo de nos entregar a esse poder. Não é fácil descobrir o bem ou a lição em uma situação difícil. Podemos ficar perplexos, perturbados ou mesmo nos revoltar. Mas, com frequência, a única maneira de o universo nos curar e fazer crescer é nos colocando diante de situações penosas. Procure olhar para o que está acontecendo como realmente é, em vez de perceber apenas o que há de mau e negativo na situação. Nenhum de nós sabe, de fato, por que as coisas acontecem na nossa vida. O problema é que achamos que deveríamos saber. Mas viver exige humildade, porque a vida é um mistério.Tudo será revelado no devido tempo.

Quando nos desapegamos e nos entregamos, liberamos as imagens mentais de como as coisas deveriam acontecer e aceitamos o que o universo nos traz. Aceitamos a ideia de que realmente não sabemos como as coisas deveriam ser. Os que estão morrendo aprendem esta lição, quando olham a vida em retrospecto. Eles percebem que as “más” situações frequentemente os conduziram a melhores situações e aquilo que acharam bom, não tinha sido necessariamente o melhor para eles.

sábado, 10 de outubro de 2015

Técnica de Centralização 1

O s h o

                    Técnica de Centralização 1
                              O s h o



"Quando um sentimento contra ou a favor de uma    pessoa surgir, não o coloque na pessoa em questão, mas permaneça centrado."

Quando surge um sentimento de ódio contra uma pessoa ou o sentimento de amor por alguém, que fazemos? Nós o projetamos sobre a pessoa. Se você sente raiva de mim, esquece completamente de si mesmo nessa raiva; eu apenas me torno o seu objeto. Se sente amor por mim, você esquece completamente de si mesmo; só eu me torno o objeto. Você projeta seu amor, seu ódio ou qualquer outro sentimento sobre mim. Você se esquece completamente do centro interior do seu ser; o outro se torna o centro.

Este sutra diz que, quando o ódio, o amor ou outro sentimento qualquer a favor ou contra alguém surgir, “não o projete na pessoa em questão”. Lembre-se: você é a fonte. Quando sentir raiva, não vá para a pessoa a quem ela está sendo dirigida, mas sim para o centro de onde ela vem. Use a sua raiva, o seu amor ou qualquer outra coisa como uma jornada em direção ao seu centro interior até a fonte.
 

Para esta técnica, lembre-se de que você é a fonte de tudo o que está projetando nos outros; lembre-se sempre disso. E sempre que houver um sentimento contra ou a favor, feche seus olhos, volte-se para dentro e olhe para a fonte de onde vem esse amor ou essa raiva. O ódio, o amor, tudo vem da sua fonte. E é fácil chegar à fonte no momento em que se está amando ou odiando, porque então você está quente. É fácil entrar nessa hora. O fio está quente e você pode usá-lo. Pode ir para dentro com esse calor. E quando atingir lá dentro um ponto frio, de repente perceberá uma dimensão diferente, um mundo diferente se abrindo à sua frente. Use a raiva, use o ódio, use o amor para entrar.
 
Um dos maiores mestres zen, Lin-Chi, costumava dizer: “Quando eu era jovem, adorava andar de barco. Tinha um pequeno barco e ia para o lago sozinho. Era capaz de ficar ali durante horas.Um dia aconteceu que, de olhos fechados, eu estava meditando no meu barco sobre a noite tão maravilhosa. Um barco vazio veio flutuando com a correnteza e bateu no meu. Meus olhos estavam fechados e então eu pensei: ‘alguém está batendo o seu barco contra o meu’. Senti raiva. Abri os olhos e já ia dizer alguma coisa com raiva para aquela pessoa. Então percebi que o barco estava vazio. Não havia jeito de me extravasar. A quem eu poderia expressar a minha raiva? O barco estava vazio. Estava apenas flutuando na correnteza. Chegou e bateu no meu barco”

Então Lin-Chi falou: “Fechei meus olhos. A raiva estava ali presente, mas não achando um jeito de sair. Fechei os olhos e simplesmente comecei a navegar naquela raiva. E o barco vazio tornou-se a minha realização. Naquela noite silenciosa cheguei a um ponto dentro de mim. Aquele barco vazio foi o meu guru. E agora, se alguém vem num barco e me insulta, dou risada e digo que este barco também está vazio. Fecho os olhos e vou para dentro”. 

Use esta técnica. Ela poderá fazer milagres com você.

sábado, 3 de outubro de 2015

Rumo à Consciência Cósmica

Huberto Rohden
       


               RUMO À CONSCIÊNCIA CÓSMICA
                          Huberto Rohden




A presença do Infinito em todos os finitos é um fato universal. Assim, a presença de Deus no homem é uma realidade objetiva, mas o que resolve os problemas do homem não é o fato da presença divina, e sim a consciência dessa presença.

Enquanto o homem não conscientizar, nitidamente, o fato da presença de Deus nele, continua a ser pecador, doente, infeliz, mortal, sujeito às misérias do ego. Mas, a partir do momento em que ele desperta para a consciência da presença de Deus nele, acabam as misérias geradas pelo ego e principiam as grandezas nascidas do Eu.

O homem de consciência cósmica não identifica o “reino de Deus” com as profanidades da vida, nem aguarda a inauguração desse reino após a morte e em alguma região longínqua do Universo. Ele sabe, por experiência própria, que o reino de Deus está dentro do homem, embora como “tesouro oculto”, e sabe, também, que esse tesouro oculto pode ser descoberto.                  

"Somente o nosso consciente obscurecido é que nos torna cegos para as glórias do mundo espiritual, no qual vivemos. O homem que tem a permanente consciência da presença de Deus vive, agora mesmo, na harmonia do seu reino, numa atitude interna inatingível pelas vicissitudes dos fenômenos externos".

Albert Einstein, que era um grande luminar, afirma: “O descobrimento das leis da natureza – a ciência – torna o homem erudito, mas não torna o homem bom. O homem bom é aquele que realiza os valores que estão dentro de sua consciência. Do mundo dos fatos,  que é a ciência, não conduz nenhum caminho para o mundo dos valores, que é a consciência. Fatos não produzem valores, porque os valores vêm de outra região.”

Se o homem conseguir esvaziar-se completamente de todos os conteúdos do seu ego humano, infalivelmente vai ser invadido pela alma do Universo, que não está fora dele, mas dentro dele mesmo. Essa invasão é automática, mas o esvaziamento do nosso ego é nossa tarefa própria. E aqui está a grande dificuldade. O nosso querido ego não quer ser esvaziado das suas atividades, porque ele não sabe nada fora disso.

Todas as forças do Universo estão dentro de nós, dentro do nosso verdadeiro Eu, que é Deus em nós. Mas, enquanto o homem não tem consciência dessa força, ela não atua, e é como se não existisse. O homem de fé, isto é, cônscio de sua força, é onipotente.

sábado, 12 de setembro de 2015

Elisabeth Kubler- Ross

Elisabeth Kubler-Ross
Elisabeth Kubler-Ross (1926-2004), Médica, psiquiatra, foi uma pioneira em matéria de acompanhamento de pessoas em fim de vida. Ela passou centenas de horas à cabeceira de pacientes terminais, observando o comportamento dos mesmos.
Em entrevistas, ela resume  convicções baseadas em suas próprias pesquisas científicas: “A morte é apenas uma transição para uma outra forma de vida. O instante da morte é uma experiência única, bela, libertadora, que  se vive sem medo nem angústia”.

Hans Küng, um conhecido teólogo suíço,  salienta a importância dessa mulher corajosa e diz que não somente os teólogos, mas um número incalculável de pessoas, lhe são infinitamente reconhecidos, pois ela, ao abordar essas questões sobre a morte, quebrou um velho tabu e abriu a medicina para um tema tão importante.

Elisabeth Kubler-Ross escreveu vários livros, dentre os quais se destacam: “Sobre a morte e o morrer”, “A Roda da Vida” e “A morte – um amanhecer”.

Para ela, as pessoas portadoras de uma doença terminal passam por várias fases, em relação à sua doença. Podemos resumi-las em “não-aceitação”, incluindo queixas, revolta, depressão e, finalmente,  aceitação, fase em que a pessoa não se identifica mais com o corpo e experiencia a paz da consciência.

“Sobre a morte e o morrer”, há um fato que devo mencionar. Depois de ler o livro, ofereci-o a meu médico, Dr. Joaci  Medeiros. Percebendo a importância do assunto, tão pouco conhecido por seus colegas, ele resolveu oferecer um exemplar do livro ao Presidente da Unimed Fortaleza. Eu soube, algum tempo depois, que a Unimed adquiriu cerca de 100 exemplares do livro e os distribuiu a médicos, sobretudo aos que trabalhavam nas UTI´s.

“Roda da Vida” foi o último livro que ela escreveu. Trata-se de uma autobiografia, em que  são descritos os  fatos de maior relevância em sua vida.

Elisabeth Kubler-Ross é uma cientista, cuja vida foi dedicada à compreensão de uma realidade tão temida  e negada por quase todas as pessoas: a morte. Mas ela, enfrentando os preconceitos de seus colegas de medicina, persistiu com tenacidade na busca da verdade que, mais cedo ou mais tarde, é sempre vitoriosa

Como ela diz: "É muito importante saber que, se você tiver uma consciência clara e se estiver fazendo o seu trabalho com amor, os outros o desmoralizarão e tentarão arruinar a sua vida. E depois de dez anos, entretanto, você terá dezoito doutorados pelo mesmo tipo de trabalho."

Para finalizar, transcrevo o que constitui a essência de seu pensamento sobre a morte:

 "Quando acabamos de fazer tudo o que viemos fazer aqui na Terra, podemos sair de nosso corpo, que aprisiona nossa alma como um casulo aprisiona a futura borboleta. E, na hora certa, podemos deixá-lo para trás, e não sentimos mais dor, nem medo, nem preocupações - estamos livres como uma linda borboleta voltando para casa, para Deus..."

sábado, 5 de setembro de 2015

Terapia e Meditação

Js.

Falo freqüentemente às pessoas sobre a importância da Meditação.  Mesmo quando vou a alguma consulta médica, reservo a parte final do atendimento para perguntar: “Doutor, o Senhor medita? E aproveito para oferecer algum texto que trata do assunto.

Os melhores investimentos que já fiz na vida foram a psicanálise e, depois, a meditação. Durante 10 anos, submeti-me à terapia; comecei em São Paulo e continuei aqui em Fortaleza. Foram cerca de 500 sessões, verdadeiros faróis acesos sobre o meu inconsciente, receptáculo de tudo o que foi reprimido na minha vida. O objetivo era trazer de volta à consciência o que vivia na clandestinidade. A conscientização cura nossas mentiras, nossos medos.

O exemplo mais notável nesse trabalho de conscientização foi dado pelo famoso psiquiatra Carl Gustavo Jung. Depois de muitos anos dedicados a essa árdua tarefa do autoconhecimento, ele declara em sua autobiografia “Memórias, Sonhos e Reflexões”: “Minha vida é a história de um inconsciente que se realizou”.

Investi bastante dinheiro no pagamento de minha terapia. Numa retrospectiva sobre todo esse tempo em que passei por uma verdadeira “cirurgia psíquica”, posso dizer que o saldo foi positivo, mas não resolveu todos os problemas, porque a terapia trabalha sobre o ego da pessoa, a fim de que ela possa viver e se ajustar à sociedade em que vive.

Mas meu anseio era ir mais longe. Queria encontrar a minha verdadeira identidade, a que nos é dada quando nascemos: “a natureza essencial da mente”, qual um diamante que trazemos ao virmos a este mundo. Infelizmente esse tesouro vai aos poucos se perdendo e vivemos sem tomar consciência de tão valioso presente que a Vida nos deu.

A Meditação pode ser considerada como o coroamento da terapia: ela vai bem mais longe. Aqui o investimento requerido não é de ordem financeira, mas um trabalho bem mais refinado, em que a mente é implacavelmente vigiada, livrando-nos dos condicionamentos e nos conduzindo ao nosso ser verdadeiro, livres das mentiras da mente.

Às pessoas muito ocupadas, eu daria a seguinte sugestão: reservem um pouco de tempo, 5 a 10 minutos por dia e tentem olhar para dentro de si. No começo, isso pode gerar um certo medo, pois vocês vão se deparar com pensamentos  e emoções desagradáveis. Mas não assumam uma atitude de luta, sejam apenas observadores do que emerge na sua mente. Aos poucos, a identificação vai perdendo força e se estabelecendo uma separação entre vocês e os pensamentos; a energia retirada da mente se transforma em consciência.

No momento em que a pessoa se torna capaz de perceber com clareza que ela não é os pensamentos, sendo estes tão somente memórias do passado registradas na  mente, essa pessoa deu um passo de imensa repercussão na sua vida: ela deixou o caminho da mecanicidade em que vivia e despertou para a realidade. Esse despertar requer tempo e obstinação, porque estivemos durante muito tempo em poder das emoções negativas e da identificação.

Mas eu lhes asseguro: vale a pena. Experimentem!