| Carl Gustav Jung 1875-1961 |
Trata-se de um Blog de textos, visando ajudar as pessoas a trilharem o caminho do Autoconhecimento e da Espiritualidade.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2021
Memórias, Sonhos, Reflexões
sábado, 11 de dezembro de 2021
A experiência do Despertar
| Karlfried Graf Dürckheim (1895 – 1988) |
sábado, 4 de dezembro de 2021
AutoLibertação
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| Anthony de Mello |
AutoLibertação
Se você sofre é porque está dormindo. Por certo a dor existe, mas não o sofrimento. O sofrimento não é real, mas uma obra da sua mente. Se você tem problemas é porque está adormecido. A vida não é problemática.
Você deve entender que o sofrimento não está na realidade, mas em você mesmo. Por isso, em todas as religiões prega-se que é preciso morrer para o “eu”, morrer para si mesmo, para voltar a nascer. Este é o verdadeiro batismo, que faz surgir o homem novo. A realidade não causa problemas, mas os problemas nascem da mente, quando estamos dormindo. Você mesmo é quem cria os problemas.
A dor existe, e o sofrimento só aparece quando resistimos à dor. Insuportável é querermos distorcer a realidade.
Não se deve procurar pela felicidade onde ela não está nem tomar a vida pelo que não é vida, porque assim estamos criando um sofrimento, que é apenas o resultado de nossa cegueira, e com ele a angústia, o medo, a insegurança. Nada disso existe, a não ser em nossa mente adormecida. Quando despertamos, tudo acaba.
Se você é capaz de reconhecer que está adormecido, se tem consciência de que não está acordado, já deu pelo menos um passo. Pois a pior e mais perigosa manifestação daquele que dorme é achar que está acordado e confundir seus sonhos com a realidade. A primeira coisa de que alguém necessita para despertar é saber que está dormindo, que está sonhando.
A base do sofrimento é o desejo, o apego. Quando sentimos um desejo compulsivo por alguma coisa, colocando nisso todas as nossas ânsias de felicidade, estamos nos expondo à desilusão, caso não alcancemos o que pretendemos. Onde não existe esse tipo de apego, não existe medo, porque o medo é a face oposta do desejo, sendo ambos inseparáveis. Sem esse tipo de desejo, ninguém jamais poderá nos intimidar nem controlar ou roubar porque, se não temos desejos, não vamos temer que nos roubem qualquer coisa.
Despertar é a única experiência que vale a pena. Abrir bem os olhos para ver que a infelicidade não vem da realidade, mas dos desejos e das idéias equivocadas. Para ser feliz não é preciso fazer coisa alguma além de desfazer-se de falsas idéias, das ilusões e fantasias que não nos permitem ver a realidade.
A pessoa deve estar disponível para aceitar o que é novo a cada momento, sempre limpa de lembranças e emoções. Quando nos encontramos com alguém, temos de deixar para trás todo o passado – tanto as boas como as más lembranças - para poder perceber o outro com clareza, para nos manter abertos ao seu presente, sem o relacionar com qualquer imagem, a não ser com a realidade do momento presente.
Vamos olhar tudo que esteja ao alcance de nossa vista, sem dar nome a coisa alguma. Procuremos ir além do conceito e ver a realidade que existe em cada coisa. Não poderemos explicar por palavras, porque não existem rótulos para a realidade. Por isso, o místico não tem vontade de falar. Como explicaria o mundo que ele descobre, vivendo na realidade que sua sabedoria desvenda? Ele só nos conta parábolas, para ver se conseguimos captar sua essência. A mesma coisa fazem os poetas. Léon Felipe disse: “A distância entre um homem e a realidade é um conto”. Por meio de um conto, o poeta nos faz captar a realidade, sem rótulos. Não se pode narrar o que é inefável, que vai além dos conceitos, como acontece nos Evangelhos.
domingo, 14 de novembro de 2021
Meditar é regressar ao lar
| Paule Lebrun |
Se você volta ao momento presente, percebe, então, a carícia do vento sobre sua pele, escuta o grito das crianças, toma consciência do amarelo das laranjeiras no campo. Esse incessante discurso interior constitui o principal obstáculo ao conhecimento e à realização de si mesmo.
Chega-se a esquecer que nossa natureza de base é o silêncio interior e que, quando tocamos as praias desse silêncio, sentimos ao mesmo tempo o êxtase de existir.
Para um bom número de tradições orientais, não existe um Deus exterior a nós mesmos. Só existem seres realizados, despertos e outros que não o são. Somos todos Budas ainda não realizados.
Todas as técnicas de meditação visam à mesma coisa: Despertar a pessoa, tirá-la da semiconsciência da vida ordinária. Como? Estando presente. Unicamente estar presente. Dia após dia. Estar presente. Sem interferir. Estar presente à sua respiração, sem modificá-la. Estar presente aos pensamentos, às emoções, às sensações, tornar-se a testemunha de si mesmo.
Uma das primeiras descobertas do meditante consiste em ver todo o funcionamento interno da formação dos pensamentos e imagens. Não de forma conceitual, mas pela simples observação.
Meditar é também entrar em contato com o que não muda em nós. Os sufis chamam isso o estado de hospedeiro. Há o hospedeiro e os convidados (os pensamentos, as emoções). Não confundir o que hospeda e os convidados. Não se identificar com os convidados. Eles não estão aí para permanecerem.
Meditar não é nada mais do que regressar ao lar. Na realidade, não há nada a fazer na meditação. Meditar é simplesmente voltar para casa e repousar um pouco. Não há outro lugar para ir na meditação, mas tão só estar lá e ocupar todo o espaço em que se está. É isto a meditação.
domingo, 3 de outubro de 2021
Desidentificação
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| Osho |
A mente existe por estar identificada com as coisas. Não mente significa estar desidentificado delas. Na verdade você não é uma mente. Então, quem é você? Você é consciência, você é o observador, você é a testemunha, você é o puro observador, aquela qualidade de espelho que reflete tudo, mas que nunca se identifica com nada.
O dia em que a pessoa percebe que ela é consciência, ela conhece o supremo, porque no momento em que ela sabe “eu sou consciência”, ela também sabe que tudo é consciência, apenas em planos diferentes. A pedra é consciência da sua própria maneira, a árvore é consciência da sua própria maneira, e assim também os animais e as pessoas. Tudo é consciência à sua própria maneira; e consciência é como um diamante multifacetado. No dia em que você souber “eu sou consciência”, você terá descoberto a verdade universal, você terá alcançado a realização.
Sócrates diz: “Homem, conhece-te a ti mesmo.” Este é o ensinamento de todos os Budas: “conhece-te a ti mesmo”. Como é que você vai fazer para conhecer-se a si mesmo? Se a sua mente fica muito ativa e está fazendo muito barulho em torno de você, você nunca vai ouvir a pequena e silenciosa voz que existe dentro de você.
Você tem que se desidentificar da mente. Gurdjieff costumava dizer “todo o meu ensinamento pode ser condensado em uma única palavra e esta palavra é desidentificação”. Ele está certo. Não apenas todo o seu pensamento, mas todo o ensinamento de todos os mestres pode ser condensado nesta única palavra: desidentificação.”
sábado, 25 de setembro de 2021
Antologia do Êxtase
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Pierre Weil |
Sob a influência de uma iniciação recebida de Muktananda, tive a experiência da elevação da energia primordial da Kundalini. Fui inundado por uma alegria imensa e por uma irresistível disposição para auxiliar os outros a passarem por esse tipo de experiência. Um amor imenso por toda a humanidade tomou conta de mim. Permaneci nesse estado de graça por vários dias.
Qual a vantagem para o homem contemporâneo, imerso nesta civilização científica e tecnológica que oferece tanto conforto, em tomar contato com testemunhos de uma experiência interior de natureza espiritual e mística? Não estaria tudo isso ultrapassado pela investigação científica?
Um exame mais atento dessa questão leva-nos a uma resposta mais do que evidente. Observando-se o que se passa no mais íntimo do coração daqueles que atingiram esse nível de conforto, é fácil comprovar que a felicidade que almejavam obter com tal conforto não foi alcançada. Além disso, uma certa nostalgia toma conta de sua alma: a nostalgia de um paraíso perdido que eles confundiram com esse conforto; continuam a buscar por um estado de consciência que se encontra neles mesmos.
"O Reino do Pai está em vós", já dizia Jesus e Buda insistia em que o fim do sofrimento humano se encontra na descoberta da verdadeira natureza do espírito que está em nós. Esta descoberta é acompanhada de um estado de paz e de uma plenitude indescritíveis.
Ora, é justamente desse estado de Sabedoria primordial e de Amor que o homem contemporâneo mais necessita. Sua neurose fundamental, à qual denominamos de "neurose do paraíso perdido", provém justamente dessa separação resultante de um véu - o véu de Ísis - que separa nosso estado de vigília do estado transpessoal. Da árvore do conhecimento do bem e do mal, isto é, da percepção dualista do real, ele é capaz de regressar à árvore da vida. O paraíso encontra-se em nós mesmos, em cada um de nós, sem exceção.
Uma vez tocado pelo transpessoal, não há retorno possível. Pouco a pouco percebemos que não estamos sós, que existe uma Presença que nos guia, através de um aprendizado nem sempre fácil e, por vezes, doloroso.
Quando algum dia, no 3º milênio, se indagar qual tenha sido a mais importante descoberta do século XX, a resposta será o estado transpessoal da consciência ou consciência cósmica.
Os estados místicos e as perspectivas das grandes tradições espirituais da humanidade atraíram a atenção de muitos físicos. Ao retornar da Lua, o astronauta Edgard Mitchell declarou: "Mais importante que a exploração dos espaços exteriores, é a investigação dos espaços interiores". Foi em conseqüência de uma experiência mística, ocorrida durante a viagem espacial, que ele abandonou sua profissão para se dedicar a pesquisas e criar um instituto de ciências noéticas.
A Declaração de Veneza, da Unesco, assinada por diversos prêmios Nobel, reconhece que a ciência atingiu os limites onde se revela a necessidade de sua aproximação com as tradições espirituais. Além disso, trata-se de um grito de alerta com respeito à aplicação unilateral da tecnologia científica, divorciada da sabedoria primordial.
sábado, 18 de setembro de 2021
O Retorno do Rishi
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| Dr. Deepak Chopra |
"Todo o universo existe dentro de ti;
pergunta-te tudo a ti mesmo"
Deepak Chopra (1946) é um médico indiano radicado nos Estados Unidos. Tenho por ele uma grande admiração, por sua enorme contribuição à autêntica medicina, voltada para o homem integral; dele se pode dizer que é um médico do corpo e da alma. Infelizmente, a grande maioria de nossos médicos se ocupam apenas de sintomas e se esquecem de que "não há remédio que cure o que a felicidade não cura".
O Retorno do Rishi
"O Universo pertence a cada indivíduo que nele habita; é dele, se quiser. Pode desviar-se dele; pode encolher-se num canto e abdicar de seu reinado, como a maioria dos homens. Mas, por sua própria constituição, o homem tem direito ao mundo". (Ralph Waldo Emerson)
Emerson nos lembra que não devemos ser pequenos. Toda vez que leio seus textos, sinto o sol irradiando de uma alma, me vejo em companhia de um deus andarilho, vibrante e queimado de sol, que me traz notícias de uma terra quente e vital. Sobre essa terra ele vagueia como senhor absoluto. "O homem é um deus em ruínas. Quando os homens são inocentes, terão vida longa e passarão para a imortalidade tão suavemente como acordamos de nossos sonhos".
Um dos Upanishads diz: "Quando a mente é dominada por seu próprio esplendor, então não há mais sonhos; a alegria e a paz descem sobre o corpo". "A natureza da consciência pura é o silêncio pleno. Nesse estado, a mente parece um lago, grande e completamente sereno, límpido e transparente até o fundo, mas tão delicado que se agita com a queda de uma simples pétala em sua superfície." Maharishi Mahesh Yogi
"Bem-aventurança", ou aquilo que os Vedas chamam ananda, é um atributo permanente do eu superior. Além deste há sat e chit, que significam "imortalidade" e "consciência". Quando Maharishi diz que o homem é sat chit ananda, consciência em bem-aventurança eterna, simplesmente quer dizer que sempre fomos conscientes e sempre seremos. Nossa alegria será perene, estaremos em beatitude, o inesgotável riso do céu nos pertence.
A beleza dessa maneira de ver torna possível a felicidade permanente. Para isso, devemos entrar em contato com o Ser, o nível fundamental do Eu Superior. Para Maharishi, o grau de felicidade na vida de uma pessoa é apenas o grau de beatitude que ela trouxe do Ser para o estado ativo de vigília. Alcançamos o eu superior através da meditação, conseguindo uma nova carga de ananda a cada dia. Este mundo imperfeito é resultado de nossos pensamentos doentios. Nós o criamos. Para curá-lo, devemos aprender a ver nossos semelhantes através da luz do amor.
Quando o amor crescer e se instalar em nós, crescerá no mundo como um todo. Uma nova realidade surgirá, alicerçada em saúde, felicidade e liberdade pessoal. A meta não está tão distante. Quando o conhecedor maior, eterno, aquele que sabe - o rishi - despertar em nós.



